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sábado, 1 de maio de 2010

Lacaniando


"É sempre em volta da sombra errante do seu próprio eu que se estruturarão todos os objetos do seu mundo assim como sua percepção dos outros indivíduos". Lacan

É por essas e outras que Lacan é Lacan e todos ouviram falar de Lacan e a gente é a gente e ninguém nunca ouviu falar da gente.

Piadas a parte, pois de piada basta a própria vida, quando isto é percebido (e não apenas lido) pelo indivíduo sua vida muda. E as percepções mudam. Ainda não deixam de ser criadas na sombra do eu, mas separando o joio do trigo as relações com o mundo tem um colorido diferente.

A Picanálise não me trouxe felicidade e nem paz, mas me fez ver que eu não sou melhor e nem pior que ninguém. 

Somos todos bebês querendo voltar ao útero quentinho da mamãe e sem precisar usar os pulmões.
Nem o cérebro.
Esse final não foi psicanálise foi Badaenek.

BADAENEK 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sobre críticas

Um jeito de saber a consistência do que você pensa é ouvir críticas.
Dolorosas como sempre (nem vem com essa de construtivas ou destrutivas, essa porra dói), as críticas têm o poder de te testar em seus argumentos e suas idéias, porque pessoas pensando diferente da gente acabam mostrando como a gente é.

Tente não responder à críticas. Sem interação, seu pensamento não modifica.
Mas tente argumentar...além de descobrir que existem outras maneiras de pensar, te mostra o tamanho real do que você pensa. De tanto defender seu ponto de vista, ele pode se mostrar como um jeito infantil de ver as coisas, ou de repente o jeito mais maduro de olhar.

Somos incapazes de auto-crítica paralela à opinião, simplesmente porque o raciocínio lógico é sempre o mesmo, por isso, mesmo doendo, vale a pena ouvir críticas nem que seja para descobrir o quanto você gosta do seu prisma ou como ele já está ultrapassado (dentro de você) e você não sabia.

BADAENEK

Perguntas sem resposta


Daqui alguns anos ou até alguns dias, de acordo com a velocidade do nosso tempo, posso me arrepender de escerver isto ou simplesmente mudar de idéia. O que preciso é organizar as idéias para saber a que conclusão chegar e isto só é possível escrevendo ou falando.

Tenho pensado sobre Deus e sobre minhas crenças... existência? Mito? Dedução? Intuição? A que vem a crença em deus? Seja ele qual for. Seja ele uno, tríade, múltiplo.

Pela pouca experiência de vida penso que existe uma força criativa, que independe das vontades dos humanos e que por ora, é inexplicável. Pelo que conheço da ciência em todos os campos, a matemática final é que existe uma força que cria e equilibra o mundo, suas forças, suas fraquezas, seu humor.

Mas não consigo acreditar na existência deste teu Deus. Este deus que exige sacrificios da natureza em prol ao seu gerenciamento que não tolera desobediência, que a cada escorregão humano tira e faz doer. Não cabe na minha alma um espaço para adorar um algoz. Por isso minhas suspeitas aumentam. Suspeito de um bode expiatório, o pecado, que humanos bem dotados de suas psicologias que hoje tanto estudamos, criaram afim de doutrinar e manipular os humanos menos dotados de pontos de interrogação. No fim, uma troca fácil de realizar: minha natureza pelo Seu perdão. Abrem mão da natureza do humano em troca de terras verdes após a morte. Nesta hora me pergunto porque então este deus nos deu a vida se só podemos gozá-la depois da morte. Porque temos formigamentos e impulsos que nascemos e temos que controlar em troca de uma vida eterna. Se é eterna não é vida, a vida predispõe uma morte. Como não existe sombra, mas ausência da luz, não existe morte, mas ausência de vida e se é eterna chamemos de outro nome.
Compreendo que existem patologias, comportamentos que destroem laços humanos, politicos, sociais e naturais, mas encaro como uma desordem causada inclusive por esta ilusão. Uma ilusão do errado.

Acredito mais em um criador como a natureza, que não impõe regras narcísicas de adoração, lealdade e fé, mas de colaboração. Você não é punido quando corta uma árvore pois magoou o Soberano, mas é punido pois a árvore é o que te faz respirar e você mexeu com o equilíbrio do mundo. Um criador que equilibra as coisas de tal maneira que sua criação precisa aprender a conviver colaborando. Viver em sociedade com a natureza. Um contrato social de onde começa a minha vida e onde começa a sua, de delimitação e intersecção. Onde os impulsos naturais como o desejo e a agressividade encontram lugar para se expressarem com o devido suporte de quem já foi iniciado na vida, do jeito que ela é.

Acredito que acreditar neste deus e privar nossas vidas de alguns itens como se fossem errados só nos faz tapar o sol com a peneira e nos fingirmos de santo diante outros crentes nisso e, diante deste próprio Deus que defende, mostrar sua real cara. A falsidade.

Como acredito no criador, espero não causar nenhum efeito borboleta com este post de desabafo, quero pensar mais no assunto e sempre, mas infeliz ou felizmente, escolhi um caminho mais complicado que acreditar cegamente, que é perguntar sempre e questionar o porque estou aqui.

BADAENEK

domingo, 14 de fevereiro de 2010

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Se era o certo eu não sei, se era assim também não hei de saber, mas sei que era o que dava para ser naquela hora.

Não sei como saber se vai dar certo, nem sei ao certo o que é certo, mas sei que é assim que sei saber.

Só sei que nada sei, só sei que tudo é impossível saber, mas tentar saber é o impulso da vida e não conseguir saber nunca é a graça da vida.

Conversemos, briguemos, amemos, bebamos... e nunca saberemos.

Leia, pergunte, busque, ria, chore e durma, e nunca haverá de saber.

A grande vantagem é que não saber nos dá a chance de inventar!

Invente seu deus, sua religião, sua psicologia, sua ciência, sua tecnologia, sua lei, suas regras, sua submissão, sua versão. Crie sua história. Faça-a em quadrinhos, em literatura ou a viva no dia a dia.

Seja bandido, seja mocinho, vá ao teatro, vá a padaria, vá a praia, mas vá e descubra o que a vida tem a oferecer.

Não sabemos o que a vida é, porque ela não É, ela ESTÁ.
Leia os livros de história e saberá como ela FOI. Mas não existe livros de como SERÁ, por que você ainda está a escrevê-lo.

BADAENEK

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Uma pirata boa


Pirataria é crime.
Não discordo disso partindo do conceito que hoje é formado sobre ela.
Mas acredito em um lado da pirataria, que não sei dizer ao certo se é sua causa ou sua consequência. Vejo-a por um prisma de revolução da massa, de manifestação do consumidor, de revolta de pessoas que precisam da arte e do entretenimento (como todos nós) e gostariam muito de pagar por ela, um preço justo.
A arte é cara. Sua produção, sua execução, sua inspiração, sua massificação. Mas o preço final chega a ser coisa de outro mundo.
Na arte temos pessoas que ganham milhões e pessoas que ganham as moedas que são jogadas em seus chapéus na rua.
A pirataria vem como um grito de protesto que clama por um preço mais justo, acessível ao fã da arte. Clama por trabalho de qualidade e de respeito pelo consumidor.
Um exemplo. Uma banda trabalha durante 1 ano para gravar um álbum com 10 músicas, vendem 500 mil cópias a um preço absurdo, pagam todos os que trabalharam e sobra uma grana. A pirataria com certeza ajudou na massificação das musicas, é como uma propaganda. Todos gastam com propaganda, uma parte da pirataria faz esta parte. Outra coisa, gravar um álbum, faturar uns milhões e coçar a cueca não é trabalho. Fãs querem shows, fãs querem proximidade, querem arte, querem qualidade, só pedem o que nós pedimos uns aos outros o tempo inteiro: trabalhem e pagaremos.
Muitos aprenderam a driblar a pirataria divulgando e vendendo seus trabalhos pela internet ou tiraram as gravadoras da parada, ou capricharam na arte, mostrando todo respeito ao cliente. Para uma demonstração deste último, assista Avatar em 3D. Uau. Nem com TV de LED em casa você tem a mesma experiência. Cinemas lotados. Produção paga na estréia. O resto? Lucro.
Conheço atores que ganham menos de 1mil e o Harry Poter recebeu 20 milhões. Talento? com certeza tem. Mas existe um desequilibrio.
Conquiste seu cliente e ele lhe será fiel.
Aprenda a vender e fazer propaganda e o lucro é certo.
Respeite seu cliente e será respeitado.
Em um país de fome zero, querem cobrar cultura 1.000?

Sobre o crime que mancha a pirataria nas ruas, a lavagem de dinheiro, as drogas, os assassinatos... Também não concordo. Mas acredite, esses caras existem em todo ramo. E o problema não é o ramo, o problema são os caras. Desde a política, passando pela Justiça ou pelo policiamento das ruas e até o mundo corporativo. Não gosto, não incentivo, não é o meu prisma de defesa.

Mas vale a reflexão.

Porque quando a massa se revolta, é um crime?

Porque as empresas "pirateiam" o trabalho de seus funcionários, colaboradores, etecétera mas isso tem outro nome?

Estas perguntas se estendem a pirataria de músicas, de filmes, de textos, de games.
Eu não gostaria de receber menos do acho que mereço quando eu criar algo. Mas me empenho muito para que isso não aconteça...mas acontece. E chamam isso de contrato CLT.

Mudam as posições, mudam-se os nomes e as regras.
Jogue xadrez.
O peão só anda para frente 1 casa e a rainha anda para onde quiser.
Se um peão morre, você tem outros. Se a rainha morre o rei corre perigo.

Se este post for lido daqui uns 10 anos tenho certeza que mais pessoas concordarão com ele. O futuro é da pirataria. Ela vai mudar de nome, passando por "marketing", "parceria", e "Ganhando com o que é grátis", "Free-Profit". Vai mudar mas não vai sumir.

Não me responsabilize pelos seus atos, mas questione o que é dado, simplesmente dado como certo e errado.

BADAENEK