sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ego Narcísico - um pleonasmo

Para conseguir ser feliz é preciso abrir mão da perfeição... Ninguém te ama mais do que a si mesmo.

BADAENEK

terça-feira, 4 de maio de 2010

Depois de uma ida ao clube...
Filha-Ai mamãe ... fez eu pagar mico...
Eu - Ué, porquê?
Filha - Você correndo nos chuveirinhos de biquini e sua barriga balançando
Eu - (Lembrando que ela largava da minha mão nessa hora) Ah, mas porquê?
Filha - Eu fiquei constrangida...
Eu -  :-O

1 semana depois ao comentar esta passagem com os dois filhos...
Filho- O pior foi pra mim, que tinha uma colega da escola no chuveirinho também...
Eu - :-O

BADAENEK

Quase onírico


Andando a noite pela rua percebo que as árvores estão maiores, maiores do que eu, maiores do que antes. Mas eu não diminuí de tamanho, também pareço mais alta, mas como não consigo me ver igual vejo a árvore, não sei quanto mais alta. 

Ouço o silêncio, não tem gente passando, nem carro. As árvores que moram na minha casa estão mais sombrias mas me metem menos medo. É como se por um instante eu soubesse que existe a possiblidade de acontecer coisas ruins comigo na rua assim como há chances iguais de não acontecer nada. E isto por este instante não me apavora. A angústia que dá quando se pensa na possibilidade ruim é infrutífera pois a chance do oposto a neutraliza.

O andar despreocupado porém vigilante é um andar novo, um passear desconhecido para mim. Um temer menos preventivo, mas apenas constitutivo de ser e de chegar a noite em casa, sozinha.
Um brilho meio mórbido passa pela minha vida como um retoque final que não finaliza, mas inicia uma nova etapa. Esta não será confortável (desta fantasia já me livrei) mas nem nascer, nem viver e nem morrer é confortável, então não será esta a novidade.

Todo desconhecido assusta, mas como tudo que passa pelo fogo, não tem mais volta, nem abdicando da mudança voltarei a um estádio anterior, serei apenas aquela uma que mudou e depois desistiu da mudança.

Mas não se vai para o céu sem morrer, não se frita ovos sem quebrá-los e não se vira borboleta sem rastejar um pouco como lagarta.

BADAENEK

sábado, 1 de maio de 2010

Nada é arbitrário


Veja neste foto a identificação. Talvez você olhe e pense: nossa! A cara dela! Não que pareça comigo, mas é o tipo da coisa em que eu me veria e copiaria para a pasta "minhas imagens".
Olhe no "meus documentos'' (seus,claro) a pasta com imagens e olhe o que cada figura significa pra você. Cada figura escolhida a dedo por você mesmo diz muito sobre suas vontades, necessidades, desejos, aspirações, medos, angustias, ideais e expectativas. Cada arquivo aberto e páginas armazenadas no "histórico" gravado, aí, no seu computador, cada cookie é uma parte de você. Se você pensa que só porque pegou na internet você não é o único afinal,que gosta destas coisas, você está certo e por isso conseguimos conversar,trabalhar,casar,amar, brigar, opinar, por que temos coisas em comum.
Achei esta foto na internet e queria ser esta moça, em desenho mesmo, e senti o que ela sentiu.....humm...meio difícil né? Eu já sentia o que sentia quando navegava na internet e por isso esta figura me chamou a atenção. Escrevi no Google Imagens "mulher mangá" e quando vi esta, não tive dúvida, esta moça que parece sentir o que estou sentindo agora, vai me representar no perfil do blog.

Haha quanta pretensão nos acharmos únicos e/ou vítimas do destino ou do ambiente.

BADAENEK

Quecôcêfoifazênomato Mariachiquinha


Amor, ciúme,possessividade, traição, confiança.
Tudo palavras.
Todas são palavras que tentam explicar as relações amorosas e deixar o contrato mais fácil...mas a realidade é diferente. A escolha do amado é inconsciente e todas as ansiedades e expectativas colocadas sobre o alvo dizem respeito aos seus desejos desconhecidos e por mais que o ser amado não coloque no mundo real estas situações, elas existem na cabeça de quem o deseja e portanto é real.

Alguém que te maltrata mas "entra" como percepção como alguém que te ama tanto que perde o controle, este é o real, porque é este conceito que vai nortear sua relação com este alguém.

Se alguém te demonstra carinho mas a decodificação deste ato o transforma em falsidade pois você acredita que ninguém quer cuidar de ninguém, não adianta o outro se esforçar, a maneira de lidar com isso vai ser pela via do "fale a verdade, faça o que quer e não o que me agrada". E isso é real, esse é jeito de ver o mundo.

Na conversa das neuroses os seres humanos se relacionam, se divertem e brigam, acidentalmente falam o mesmo idioma e acham que se entendem, mas não sabem que o inconsciente de cada um tem um idioma próprio que, nas traduções com os outros adquirem sentidos próprios.

BADAENEK 

Lacaniando


"É sempre em volta da sombra errante do seu próprio eu que se estruturarão todos os objetos do seu mundo assim como sua percepção dos outros indivíduos". Lacan

É por essas e outras que Lacan é Lacan e todos ouviram falar de Lacan e a gente é a gente e ninguém nunca ouviu falar da gente.

Piadas a parte, pois de piada basta a própria vida, quando isto é percebido (e não apenas lido) pelo indivíduo sua vida muda. E as percepções mudam. Ainda não deixam de ser criadas na sombra do eu, mas separando o joio do trigo as relações com o mundo tem um colorido diferente.

A Picanálise não me trouxe felicidade e nem paz, mas me fez ver que eu não sou melhor e nem pior que ninguém. 

Somos todos bebês querendo voltar ao útero quentinho da mamãe e sem precisar usar os pulmões.
Nem o cérebro.
Esse final não foi psicanálise foi Badaenek.

BADAENEK 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

BLOG DE FINDI

Os dias da semana estão bastante preenchidos (que bom!).
Mas o blog ficou de lado.

Farei assim: Dias da semana não postarei, mas de fim de semana vou colocar em pixels meus pensamentos.

Parece engraçado ou irônico, mas quanto mais coisas acontecem, menos tempo para escrever. Em dias com muita postagem ... haja ócio.

Badaenek

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Carefull"

Cuidado
Para não tropeçar no bico
Que sem perceber nasceu no seu rosto
E tomou conta da sua expressão
Cuidado para não esbarrar na insatisfação daquele ali
Porque do jeito que está a sua insatisfação
Ultrapassou o espeço que era destinado a ela
Cuidado para não falar alto demais
O único que precisa ouvir mora dentro de você mesmo
E de nada adianta alertar os vizinhos
Cuidado com o que pensa
O pensamento é o chefe do comportamento
Quando vi, fiz sem pensar.
Mentira, neste caso pensou-se muito rápido e agiu-se mais ainda
Cuidado com o que acredita
O mundo muda a cada segundo
Mas você não precisa mudar tão rápido
Mas não pode ser igual para sempre
Cuidado com o que deseja
Normalmente nos engajamos para realizá-lo
E quando ele é alcançado
Não temos certeza se queremos
Cuidado com o que escreve
A escrita torna real pensamentos que nunca existiram
E as pessoas lêem
E quem lê opina
Cuidado com as relações
Você de verdade está sozinho
Mas a travessia é melhor quando tem quem ri com a gente
Ou que chora
Ou que ouve o nosso choro
Cuidado com a vida
Você só tem uma
E é curta, curta
Esta acabando enquanto você lê este post
Vá fazer algo que você ame
--
Badenek

terça-feira, 9 de março de 2010

CARA DE TRISTE

Não se engane, esta cara não é de triste.
Seria bom se fosse, tristeza é alguma coisa. É o status triste. sabemos
o seu contrário: feliz.
Podia ser uma cara de brava...GRRRR...raiva também é alguma cosa.
E é o contrário da calma.
Mas esta cara é uma cara de angústia. E angústia não tem contrário. E
não tem solução.
Angústia é aquele rojão que caiu no chão e roda nos pés de todo mundo e
só pára quando ... pára.
Mas machuca uns dedões primeiro.
Não sei o que é o oposto da angústia, não li tantas coisas assim.
Mas sei que a cara fica feia mesmo. Uma cara de quem cheirou e não
gostou.
Mas a angústia é necessária, como o veneno e a vacina: na medida certa.
Angústia traz de presente um brinquedo. É um lindo ponto de
interrogação, que você pode colocar onde quiser. Praticamente uma
enfeite coringa. E você descobre que sempre que coloca ele em algum
lugar surgem coisas novas. E algumas delas trazem mais angústia.
A angústia vem nos extremos... ou quando você está muito longe de si
mesmo, ou quando se está perto demais de quem você realmente é...
--
Badenek

segunda-feira, 8 de março de 2010

PSICANÁLISE E A BUSCA POR AQUELA RESPOSTA



O resumo do problema e instauração da neurose é que estamos sozinhos. A castração não é um "não pode", mas um "não tem".
Não temos nada e nem ninguém e a fantasia inconsciente passa pelo ter, pela negação da solidão (falta). Uma solidão de responsabilidades, do livre arbítrio.
A mãe, o pai, deus ou um grande amor são repetições da mesma fantasia de que não se está só.
A falha no ambiente é a realidade de que se está só. O abandono não é o trauma,é a mais pura realidade, é sua cauda que aparece.
O sujeito fantasia para sobreviver. Cria a ilusão de pertencer (a algo, a alguém) e ilusão de ter (algo, alguém).
A necessidade do outro para a realização da fantasia é a a própria fantasia de tê-lo. Tê-lo como objeto ou ser um para ele.
Só é possível ver o mundo com seus próprios olhos e você é o único que nunca desaparece a sua vista porque é o único que está sempre com você. A realidade da solidão.
A sociedade é o auge da neurose , a ilusão/fantasia de que se tem o outro. Ilusão de que se tem família, amigos, vizinhos. Nesta ilusão sobrevive o mundo. Uma ilusão coletiva, um acordo de fantasia em grupo. As vezes falha.
O complexo de Édipo não é somente a fantasia inicial, de que não se pode amar a mãe, o pai eroticamente, mas é A fantasia instaurada para cobrir o buraco da realidade fatal: estamos só. Não posso amar (ter) esta mãe. E mais ninguém. O superego nasce da fantasia do certo e errado. Só existe certo e errado quando existe o outro. Sem o outro, nada tem um status de certo e errado. O Superego é a petrificação da existência do outro em mim. É o que nos faz fingir tão bem que o real existe. Estamos sozinhos ao nascer e ao morrer e só somos cuidados ou velados pelos outros por consideração deles a eles mesmos.
A ilusão quase se torna realidade.
O perverso não abre mão da realidade, é o único que a enxerga.
Vidas que duram 70 anos no máximo passam toda ela querendo perpetuar o quê?
Este deus prometido que dará a vida eterna aos que andarem corretamente é a promoção do Superego à Divindade, que é inquestionável. Afinal satisfaz a fantasia suprema.
Vivemos sozinhos em companhia de outras pessoas. Ninguém sente sua dor e não se preocupam com ela. Aqui não se vive, se sobrevive. Quem abrir mão das suas fantasias morre. Ou mata. O neurótico vê um pouco de cada, fantasia, realidade e por isso é confuso e sofre.
Tarefas impedem o pensamento de funcionar. Mãos e atenção distribuída ocupadas impedem a reflexão.. Por isto existe a demanda e a oferta de trabalho. O trabalho nunca termina, não importa qual seja.
E só é possível acordar depois de uma sequência de experiências onde o medo que herdamos da nossa criação nos atrasa. Com medo não há experiência, não há despertar.
Dinheiro, mídia, ética, política, farmácia: sapatos para pés machucados do chão da realidade. Agentes da fantasia. Uma fantasia que usa a realidade como uma personagem. Reduzir o desejo inconsciente a sexo e o sexo ao errado é outro sapato, e do bem confortável.
O que lhe foi tirado com a vida foi o prazer de não existir. Este prazer jamais será recuperado. Por isso psicóticos, neuróticos e perversos sofrem. Seja de culpa, de insaciedade, de angústia, de fuga. A fantasia desenha um caminho até este prazer, mas ele é inatingível. A fantasia cria o percurso e a ilusão da possibilidade.
A grande pergunta que começa com "quem somos" ou "pra onde vamos" é: "porque temos meia consciência disso?"
É por isso que precisamos cuidar do corpo. Para viver o máximo de tempo possível em busca da resposta.


BADAENEK - Momento Nietzsche

terça-feira, 2 de março de 2010

O PODER DE PODER


Era o oitavo dia e deus estava feliz com toda sua bela criação e após seu descanso, o mundo poderia começar.
Pensou por um segundo se faltava alguma coisa por fazer.
Depois de dar a vida e as condições para mantê-la, se questionou se não faltava algo...

E se meus humanos se arrependerem de alguns ato e quiserem voltar atrás para consertar?
Pensou então em presenteá-los com um poder quase divino, um poder que ninguém nunca ouviu falar.
Achou por bem dar o poder de voltar no tempo, e assim, poder consertar alguma coisa.
Mas assim como o corpo precisa de comida e água para carregar estas energias, este poder precisaria de tempo para ser usado de novo.
O humano poderia utilizá-lo uma vez por dia e apenas uma.
Agora sim. O mundo pode começar.

Com as emoções que são itens de série, a depreciação física que o tempo causa e o imprevisível, como os humanos usariam este poder?
Sabendo que o dia dura muito, os humanos poderiam se arrepender de consertar uma coisa e deixar outra sem consertar para sempre.
E desta maneira, esperariam até o final do dia para escolherem o que consertar.
E como o dia dura muito e pode acontecer muitas coisas até o último minuto, só saberiam que não havia outra coisa a consertar quando fosse o final do dia. No último minuto.
E, nesta hora, este dia virava outro dia, e o poder não funcionaria mais.
E ainda, provavelmente, se o humano conseguiu manter-se firme até o final do dia, conseguiu lidar com a coisa a ser consertada e por isso talvez desistisse de consertar.
E, pode ser, que quando uma saudade apertasse ou o arrependimento, os dias já teriam se passado e, mesmo com o poder, o humano não poderia consertar.

Depois de meia hora, deus desistiu desta empresa pois seria um poder inútil.
E decidiu começar o mundo assim.

E então conclui que os humanos teriam então outro poder, não menos divino e não menos trabalhoso. eles preveriam parte do futuro. A parte que cabe a eles.
Deste poder ele se orgulhou e não precisou pensar muito.
E este não precisaria de tanta energia, apenas sabedoria.

O homem precisaria aprender como usar este poder. E quando não conseguir, vai dar tempo de pedir orientações para o criador ou para seus pares.
Ele deu o livre arbítrio e os humanos passam cada dia tentando descobrir como usar este poder. As vezes, fingem que não o possui e correm às igrejas pedindo que deus mostre o que eles devem fazer. Escreveram livros de doutrina e outros de auto-ajuda.
Eles não sabem usar o poder.

Mas só tem um jeito de descobrir como usa. E este jeito é vivendo. E sabendo que as escolhas têm consequências. E que "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades*", e que o livre arbítrio é uma forma de ver o futuro e poder escolher o que fazer sem precisar voltar no tempo para arrumar.


BADAENEK


*Frase do tio do Spiderman

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Clown Parade



Era fim da tarde, a chuva começou a querer chover. Avenida Paulista cheia, hora do rush, todo mundo tinha algum lugar para ir...e depressa.
Metrôs, ponto de ônibus lotados, trânsito na rua. O relógio não perdoa e não pára.
Quando finalmente meu ônibus aparece no horizonte e logo depois encosta no ponto, surpresa, era o ônibus de todas as pessos que aguardavam no ponto.
Depois de brincar de "Sokoban" e cada um encaixar no seu lugar, em cada ponto de ônibus que vai da Av. Paulista, Alameda Santos, Brigadeiro e Av. Santo Amaro entravam mais uma meia dúzia. Certa hora um pessoal chegou a entrar por trás, mas "tudo bem", hoje em dia não tem problema, seja pela frente ou por trás, a galera acha importante que entre.
Vertigens a parte, de alguém que não havia almoçado, que inferno. Uma pessoa normal é capaz de se tornar um sociopata em questão de minutos...opa...errado...em questão de horas, porque foram 2 horas neste calor-humano-molhado-de-chuva-com-vidro-fechado.

Não ia falar sobre isso, mas foi inevitável.

Ia contar que no meio do caminho deste caos apocalíptico capaz de transformar cientistas em Hulks, uma senhora com idade bem avançada que estava dentro do ônibus começou a tirar sarro de uma vaquinha colorida que está na Av. Paulista participando do "Cow Parade". Ao mesmo tempo que as minhas opiniões sobre a arte começaram a borbulhar querendo gritar para o mundo que não se zomba da arte porque arte reflete a vida do ser humano e blablabla... caí na real:
Imagine a cena de uns 70 cabeçudos dentro de um ônibus, o trânsito não anda, chovendo, todos atrasados e todos encarando a vaca por longos minutos (já disse que o trânsito parou?). Imagine esta cena do ponto de vista da vaca.

É absurdo a gritante inversão de valores de hoje em dia. Eu amo arte. Eu defendo a arte. Mas São Paulo tem muita coisa pra resolver antes de investir em vacas coloridas ou TVs dentro do ônibus.

Pão e circo até que funciona com a gente, mas só circo não.

Principalmente porque os palhaços deste picadeiro somos nós.

BADAENEK

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

É bonito é bonito e é bonito


É segredo, não conto.
Nem sob tortura.
Mas tem coisa que é bonito de ser ver hein? (eu não errei a ortografa)

Viva o fim do Carnaval!
Viva o retorno das férias.

Meus olhos agradecem.

A Natureza sabe fazer bem feito... pena que fez poucos.

Hehe

BADAENEK

"Não existe algo como o ser humano"





Winnicott tem uma famosa frase que diz "não existe algo como o bebê". Esta frase trocada em miúdos significa que o bebê nunca é O BEBÊ, quando você me apresenta um bebê você me apresenta uma mãe. O bebê não pode ser sem uma mãe (cuidador), sem a mãe o bebê não existe, pois resistiria pouco tempo vivo.

Agora uso esta frase para dizer que esta é uma condição do ser humano e esta é uma coisa muito difícil de entender e até de aceitar me arrisco a dizer. Um ser humano sozinho não vive. Talvez a diferença entre a frase do bebê e a do ser humano é que o bebê não sobrevive; o ser humano até sobrevive, mas não vive.

Nos últimos tempos tenho sentido na pele dos jeitos mais legais, mais constrangedores e mais bizarros como somos dependentes uns dos outros e como é di fícil aceitar isto.

Seja no amor, na dor, na piada, no e-mail ou nos posts do dia a dia, seja nas críticas, seja nos sonhos que se esbarram pois coincidem ou chocam, estamos sempre vivendo a nossa vida temperada pela vida dos outros.

Tenho dois filhos, uma mãe, dois irmãos. A maneira como a vida deles completa a minha é inexprimível. A maneira como cada um à sua maneira me coloca em suas vidas... o jeito que me ajudam a viver.

Meus filhos nasceram em condições especiais e me arrisco a dizer que a família deles não é completa, faltam peças-chave e eles sentem falta. Na minha ânsia de corrigir esta falta me desdobro em mãe-amiga-pai-vô e acho que eles compreendem e me dão crédito mas no fundo sabem que nunca vou substituir a altura. Mas a família que temos, que não é perfeita por ser feita de humanos, mas é perfeita por ser única, faz com que a vida seja "vivível".

Nunca criaria meus filhos e nem existiria de sse meu jeito sem o colchão que são a minha mãe, irmãos, amigos, amigos-coloridos, primos doidos, babás corajosas, amigos virtuais, escritores, filósofos, professores inspiradores e loucos que viram analistas que me cercam, rodeiam, respiram o mesmo ar que eu e divide as experiências e a mala pesada desta viagem.

Obrigadú.

BADAENEK em momento cristão Hehe

 

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Um pouco de Contardo Calligaris

Muito bom, recomendo.


BADAENEK

O ano começou

Diz a piada que o ano no Brasil só começa depois do Carnaval. Hahaha
É verdade...
Depois de longas férias do trabalho, da faculdade e da escola das crianças, lá vamos nós.
O ano começou e até o horário de verão já ficou para trás. É hora de produzir. É hora de correr atrás do prejuízo.
É hora de arregaçar as mangas e fazer o que não foi feito antes.

Parece até que é assim né? O ano nunca acaba e nunca começa para quem tem que batalhar a vida como a gente... é tudo uma continuidade......

Bom... pelo menos até a Copa do Mundo Hehe

BADAENEK

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

NEUROSE FALA

 

Depois de escrever sobre coisas densas e obscuras, talvez um tanto polêmicas, talvez incômodas, vou mudar de assunto como todo bom neurótico, que quando fala demais do bueiro, precisa começar a falar das flores e dos passarinhos para dar uma limpada no ar. Hehe.

Quero falar sobre coisas na vida que nos surpreendem. Acho legal que isso aconteça porque mostra que não temos controle sobre todas as coisas e que mesmo quando estamos parados o mundo gira e esbarra em nós. Este é um ponto. O mundo gira, esbarra, pára, gira de novo.

O outro ponto é que quando o mundo que a gente criou dentro da gente muda, o mundo de fora muda junto e isso é surpreendente. Esperar mudanças nunca é um plano ruim, porque inevitavelmente elas acontecem, mas mudar uma coisa inside e depois ver seu reflexo outside é realmente uma bela experiência.

E quando você muda o seu mundo, o mundo de verdade gira e esbarra em alguém, que as vezes estava indo bem no plano de ficar parado esperando mudanças. E tudo dá certo.

Em alguns itens da minha vida estou no plano "estátua-quando-voltar-a-musica-eu-danço" e em outros estou dançando frevo para que coisas aconteçam. E, cada plano no seu ritmo, as coisas estão caminhando.

Post dedicado ao meu analista, (histérica na formação reativa) - aquele fofo.

BADAENEK


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sessão Cineménha - UP IN THE AIR

Primeiro post da "Sessão Ceneménha", resolvi escrever sobre os filmes que assisto e que vale a pena escrever alguma coisa. Vou começar pelo filme "Amor sem escalas", com título porcamente traduzido, com George Clooney.

1 - SITUATION
Assisti numa sexta-feira na sessão das 23:00 no Market Place, cinema vazio, ótimos lugares onde dava para esticar as pernas. Foram 15 minutos de trailler, para minha sorte que sempre chego atrasada.

2 - RESUMÉNHO
O cara é um "funcionário-viajante", que tem a função de demitir pessoas para empresas onde o líder não tem esta capacidade, ou tem preguiça pois são muitos ou não quer mesmo. Em uma das viagens conhece uma mulher que trabalha viajando, assim como ele, a quem ela mesmo se refere como "uma versão dele com vagina" e rola um affair (com final bem bolado). A empresa onde ele trabalha contrata uma nova funcionária, recém formada com idéias tecnológicas de demitir por fone-conferência, reduzindo os custos da empresa. Daí em diante, a história gira em torno do problema em demitir pessoas e demitir pessoas pela internet, ao mesmo tempo que o herói reencontra as irmãs que não via há muito tempo para o casamento de uma delas e se relaciona com a mulher viajante. Ele também ministra palestras "motivacionais" com um tema sugestivo. Pano de fundo do filme: relacionamento / vínculo.

3 - FILOSOFANDO
Um filme sobre vínculos. Emocionais e práticos. Um cara que trabalha demitindo pessoas, desvinculado-as do seu trabalho, do seu "ganha-pão", pessoas com muitos anos de empresa na maioria das vezes, com um vínculo prático e emocional muito grande. Para desfazer este vínculo, ele precisa criar um breve vínculo de compaixão e vender uma idéia de novo começo. Quando esta situação é ameaçada pela tecnologia, ou seja, demitir via fone-conferência, existe um abalo no único vínculo que herói construiu - com a fuga, com os aeroportos e hotéis e causa indignação como o novo projeto mostra seu trabalho como desnecessário, desconsiderando todo uma situação que é instaurada no momento de demitir uma pessoa. Ele não possui vínculos com a família, uma das irmãs chega a dizer que ele "praticamente não existe". Se delicia com a aventura amorosa com a mulher-viajante pois pode encontrá-la por ai e ficar com ela casualmente, novamente, sem carregá-la consigo, assim como faz com a família, com seu apartamento e assim como prega em suas palestras da "mochila-vazia". Pretende convencer as pessoas que devemos carregar o mínimo de bagagem nas mochilas e então seremos felizes. Trazer o mínimo em sua bagagem diz respeito à relações. Relacionar-se é assumir uma responsabilidade para com o outro. Esvaziar a mochila é não carregar esta responsabilidade e viver leve. A mala dele tem as coisas mais práticas e úteis, nada de mais, nada de menos, suas técnicas em aeroportos para ganhar tempo nas filas já diz da praticidade. Só se relaciona com a companhia aérea, onde é fiel e deseja acumular 10 milhões de milhas para ter seu nome em uma avião. A companhia aérea é quase sua cúmplice de fuga, por isso uma lealdade; é ela quem proporciona a "saída estratégica a direita" de uma cidade para outra. É seu único vínculo. Quando precisa aconselhar o noivo de sua irmã, ele é um desastre, mas faz uma pergunta essencial: "nos melhores momentos da sua vida... você estava sozinho?" e isto o convence a seguir adiante com o casamento. Não vou contar o final mas o filme não defende o que é certo ou errado, apenas causa uma reflexão sobre escolhas, mas toda escolha tem um preço.
Demitir pessoas ou não SE vincular é uma opção que não causa grandes danos para o herói, mas e se ele fosse desvinculado? Demitido? Esvaziado da mochila de alguém? Privar alguém da sua companhia pode ser até um favor as vezes, mas pode ser doloroso e este "pode ser" é a responsabilidade que assumimos nas relações (conjugais, maternais, empresariais, com cliente, etc.)
Esvaziar a mochila não é difícil. Mas o que a gente tira da mochila em algum lugar, fica.

Detalhe para o chiste no slogan: "The history of a man ready to make a connection".

BADAENEK

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Mulherzando


Tenho sido tentada a escrever sobre as mulheres mas confesso que existe um pouco de resistência da minha parte em falar sobre mulheres separando o homem da conversa.
Não gosto de generalizações e conheço alguma coisa a respeito do repúdio ao feminino e por isso fica difícil escrever algo...pelo menos algo que seja inovador ou interessante.

Mas quero dizer que ser mulher é uma coisa sem definição suficiente e sem explicação. O esforço em se igualar ao homem em todas as tarefas e responsabilidades chega a ser cômico,como ocorreu certa vez em uma conversa que eu tive:
Eu - Ahá, as mulheres vão dominar o mundo!
Homem - Não vejo a hora que isso aconteça para eu ficar em casa descansando.

As mulheres não querem mais ser mulherzinhas, assim como os homens nunca quiseram. Mas a mulher é referência, elas não se empenham em "não ser homenzinhos", os homens que olham como é a mulher e repetem consigo "não posso ser assim pois serei mulherzinha".

O interesante é que se fizermos todas as tarefas dos homens, como eles saberão o que é ser homem?

Eu, que sempre fui espaçosa e quero dominar mais as tarefas do homem (historicamente falando, sem machismo ok) do que as tarefas da mulher, me sinto hoje, tentada a pensar no assunto...

O que deixamos para eles??

BADAENEK

Inspirado no programa Café Filosófico, com Ana Maria Rita Kehl, Psicanalista, Programa que foi ao ar na TV Cultura dia 14/Fev/2010.

PS: A foto não podia ser melhhor para ilustrar o que quero dizer. Obrigada web.
http://clubecabecasbadalhocas.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

Sobre críticas

Um jeito de saber a consistência do que você pensa é ouvir críticas.
Dolorosas como sempre (nem vem com essa de construtivas ou destrutivas, essa porra dói), as críticas têm o poder de te testar em seus argumentos e suas idéias, porque pessoas pensando diferente da gente acabam mostrando como a gente é.

Tente não responder à críticas. Sem interação, seu pensamento não modifica.
Mas tente argumentar...além de descobrir que existem outras maneiras de pensar, te mostra o tamanho real do que você pensa. De tanto defender seu ponto de vista, ele pode se mostrar como um jeito infantil de ver as coisas, ou de repente o jeito mais maduro de olhar.

Somos incapazes de auto-crítica paralela à opinião, simplesmente porque o raciocínio lógico é sempre o mesmo, por isso, mesmo doendo, vale a pena ouvir críticas nem que seja para descobrir o quanto você gosta do seu prisma ou como ele já está ultrapassado (dentro de você) e você não sabia.

BADAENEK